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DIONISÍACAS, o blog do Dom Dionisio Neto - UOL Blog

DIONISÍACAS, o blog do Dom Dionisio Neto


08/05/2012


FERNANDO ZARIF

Vira e mexe eu sinto saudades do Zara. Do louco amigo Fernando. Do Zarif. Nos conhecemos por intermédio de Pedro Homem de Mello em 1997, em seu apartamento do Itaim. Nos identificamos imediatamente, como acho que muitos o faziam. Aquela sala era um mundo de cultura e arte. Era o google antes do google. Frequentei o apartemento dele por muito.s anos. Zara me apresentou muitos restaurantes maravilhosos de São Paulo e sempre dizia "Eu como bem." Com sentido duplo, triplo, até. Saímos muitas vezes para festas inesquecíveis e maravilhosas. Escrevemos muitos poemas juntos que espero que sejam recuperados pelo projeto de catalogação da sua obra. E que obra! 

Escrito por DOM DIONISIO NETO às 04h07
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26/04/2012


PERPÉTUA minha peimeira peça

http://www.youtube.com/watch?v=9YAXRl_oLBI&feature=relmfu - parte 1

 

http://www.youtube.com/watch?v=hwUNPrBslPQ - parte 2

 

http://www.youtube.com/watch?v=5N7_WQ8ErTc - parte 3 final

Escrito por DOM DIONISIO NETO às 11h13
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25/04/2012


RECOMEÇAR SEMPRE

Walcyr Carrasco, o grande autor de novelas escreveu uma peça para mim, linda, há dois anos. Assim que a peça chegou eu a li de supetão, na rede do meu loft, em meio à tintas e uma recém mudança. Chorei. Liguei imediatamente para ele e agradeci muito. E ele me agradeceu de volta, por eu tê-lo tornado um autor melhor. E disse para eu dar o nome da peça. Assim o fiz DESAMOR. É um quase monólogo (há a pequena participação de uma garçonete) sobre a história da redenção de um taxista ogro e solitário, semi-bêbado, em um bar pé sujo de São Paulo, conversando com seu passageiro imaginário. O taxista faz michê com seus clientes. Chamei Lucia Segall (com quem trabalhei em Desonhecidos, de minha autoria) para a direção, visto que ela é uma mestra do Lee Strasberg Institute, de quem sou devoto, e a peça é centrada na direção de ator. Fizemo Sesc os algumas leituras públicas, a primeira no meu extinto cabaré - O Inflamável, com tremendo sucesso. O texto tocou a platéia lotada! Depois fizemos uma leitura pública na Folha de S. Paulo e alguns ensaios abertos. Apresentamos para o Sesc Pompéia e o Consolação, que não se interessaram. Foi um "não" bem grande. Também para a curadoria do Festival de Curitiba, que, apesar do interesse, não nos levou por já terem a agenda pronta para 2012. Enfim, foi um banho de água gelada. Juro que desanimei. Mas a peça sempre aqui do meu lado olhando para mim e eu para ela. É uma questão de honra montá-la! Além de ser linda, o personagem é fantástico e foi escrita para mim! A primeira peça escrita para mim por um grande autor, prêmio Shell de dramaturgia, não é qualquer coisa. Fico pensando nos motivos que levaram ao desinteresse do Sesc. Será que é porque é uma peça com temática homossexual? Não pode ser... Isso seria censura, dirigismo cultural e não acredito que uma instituição como o SESC com quem trabalho desde 1993 faria isso... Eu já vi uma peça lá sobre uma lésbica suicida, por que não sobre um taxista-michê? E a peça olhando para mim e eu olhando para a peça... Então tive uma idéia - fazer em uma boate gay, como em 1996 eu fiz com minha primeira peça - Perpétua. Eu tinha acabado de sair do CPT do Antunes Filho, depois de 3 anos, e estava louco para fazer teatro. E como nada acontecia, eu mesmo resolvi escrever o texto e ir a luta. Sem nenhum tostão furado a gente fez a peça, que foi um sucesso de crítica e público. Ficamos 10 anos em cartaz, fomos para o FITEI no Porto-Portugal e ainda ganhamos recentemente dois editais para transformá-la em filme. Sem nenhum tostão. Opus profundum eu fiz também sem nenhum tostão com mais de 30 pessoas, fomos a principal atração do Festival de Curitiba em 1997 e ainda montamos em Nova Iorque com direito a capa do jornal The New York Times e tudo mais... E olho para a peça e a peça olha para mim... E DESAMOR a gente monta com amor! Não temos dinheiro, temos amor pela peça, tesão e vontade de fazer. É preciso disposição e coragem. Eu acredito nesse texto, acredito muito! Não posso estar enganado como as mocinhas do Sesc. Será que é porque a peça junta religião como hossexualismo e escatologia? Não é possível... Não consigo acreditar... Não vejo um motivo. Eu olho para a peça e a peça olha para mim e diz, me monta, Dionisio Neto, me monta! A Arte fala mais alto, bem mais alto! E eu olho para o começo da minha carreira no teatro em que metia as caras, com 20 e poucos anos e rodava o mundo fazendo o que mais gosto na vida que é atuar, não importa se no teatro, no cinema ou na televisão. É a minha sina. Será que fiquei bundão aos 40 anos? Não pode ser, Dionisio, não é da minha índole a derrota. Basta querer. Eu quero. Todos queremos. E vamos montá-la mesmo assim, sem nenhum tostão furado. E vamos ver no que vai dar. Aguardem. Desamor, de Walcyr Carrasco vai estrear!

Escrito por DOM DIONISIO NETO às 14h23
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12/04/2012


meu mais recente filme

12/04/2012 - 08h00

Matheus Nachtergaele faz balé para viver Joãosinho Trinta no cinema

As informações estão atualizadas até a data acima. Sugerimos contatar o local para confirmar as informações

FABIANA SERAGUSA
DE SÃO PAULO

Alexandre Campbell/Folhapress
Carnavalesco Joãosinho Trinta (foto), que morreu em dezembro de 2011, é tema do filme "Trinta", estrelado por Matheus Nachtergaele
Carnavalesco Joãosinho Trinta (foto), que morreu em dezembro de 2011, é tema do filme "Trinta", estrelado por Matheus Nachtergaele

Para interpretar Joãosinho Trinta no cinema, Matheus Nachtergaele vem fazendo aulas de balé para "adquirir a postura altiva" desse ícone do Carnaval. O longa, chamado de "Trinta", deve estrear no início do ano que vem --as filmagens começam em 20 de abril.

"O filme retratará seus dias como bailarino, sua ida para o Salgueiro e sua estreia como carnavalesco", conta o ator. Ele também diz que a morte de Joãosinho, em dezembro de 2011, durante o processo de preparação do longa, transformou o projeto em um "registro amoroso" e em uma "homenagem comovente".

No elenco de "Trinta" também estão o ator maranhense Dionisio Neto (das novelas "Morde e Assopra" e "A Favorita") e a cantora Alcione. A direção é de Paulo Machline.

Escrito por DOM DIONISIO NETO às 12h48
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26/03/2012


dionisio neto

Ele é ator,autor e diretor de teatro.
É tão lindo por fora quanto é por dentro.
Fez o caminho certo que todo ator deve fazer pra chegar na tv,fez a vida no teatro e so depois chegou na televisão
Ele é global!
Ele nasceu em são luis do maranhão e ganhou o mundo.
Trabalhou com os maiores diretores do teatro brasileiro,Gerald Thomas,Antunes Filho,Bia Lessa e José Celso Martinez Corrêa.
Arrasa na televisão e tambem no cinema!
Em morde e assopra novela da rede globo encantou o brasil com o delegado mais charmoso que a muito tempo a gente não via na televisão brasileira levando homens,mulheres e gays a loucura!
Ele é o tipico brasileiro ki não para e arrasa em tudo que faz,seja cinema,teatro e televisão!
Ele é um fofo!
Conheçam meu amigo DIONISIO NETO.




























Teatro é??????????????????????? e não é...
Televisão é?????????????? é.
A peça de teatro da sua vida é???????????????? a atual, no caso Desamor de Walcyr Carrasco (escrita especialmente para mim)
que personagem vc gostaria de fazer no teatro? Macbeth no sertão
Qual sua formação????????????? USP, CPT (Antunes Filho), Gerald Thomas, Zé Celso e Lucia Segall (Lee Strasberg Institute)
Moda é??????????????? expressão






























Uma cor??????????????? azul yves klein
Um estilista nacional e um internacional?????????????????? reinaldo lourenço (meu querido amigo e parceiro) e yohji yamamoto
Familia é??????????????????????? amor
Uma musica????????????????? love will tear us apart - joy division
Amor é???????????????????? doação





























Uma novela?????????????????? a que for escrita para mim, fora essa vale tudo - a melhor de todas!
Um sentimento????????????????????? amor
Uma frustação?????????????????? não morar em Los Angeles
Um desejo????????????????? ser protagonista de um filme de walter salles
Viver no brasil é?????????????????????? legal, mas é uma merda























Trabalhar na globo foi????????????????????? maravilhoso como sempre e sempre será
Um erro???????????????? cartão de crédito
Um medo????????????????? faço do meu medo motor
Um truque????????????????? M.A.C. e dior
Um amigo????????????????????? benjamin gadagnotto





























Um desejo?????????? protagonizar uma novela na rede globo e um filme de walter salles
Quem é cafona???????????????????? quem tenta ser o que não é
Quem é chique???????????????????? quem é o que é e como é
Quem merece sentar na primeira fila da sua peça no teatro???????? o povo brasileiro
Qual foi o trabalho mais emocionante que vc fez ate hj???????????????? Perpétua























A viagem da sua vida foi?????????????? nordeste (bahia, sergipe e alagoas) semana passada
De que ator ou atriz vc gostaria de ser amigo????????????????? sean penn
Qual o teatro da sua vida??????????????? oficina
Uma festa????????????????? as da casa do andrucha waddington e fernanda torres e as no meu loft
O que não entra no seu closet???????????????? roupa uó





























Qual a peça de roupa que vc mais ama usar????????????????????? terno
Um livro??????????????? o mulato, de aloísio azevedo - é de um maranhense como eu e se passa na cidade onde nasci - são luís do maranhão
Qual lugar do mundo vc gostaria de estar agora???????????????? aqui mesmo no meu loft
Quem vc gostaria de ser se não fosse o dionisio neto???????????????? marlon brando
Deus é???????????????????????? amor




















O melhor de trabalhar com teatro é???????????????? a liberdade
O pior de trabalhar com teatro é??????????????? a precariedade e falta de profissionalismo
Um ator nacional e um inte e um nacional???????????? tony ramos e marlon brando
Uma atriz nacional e internacional??????????????????????? fernanda torres e merryl streep
Um diretor nacional e internacional?????????????????? walter salles e almodovar




























Uma decada??????????????????????????????? a atual
A mulher mais fina do brasil é??????????????????????? minha mãe, a dra marileide vasconcelos
A mulher mais cafona do brasil é?????????????????????? qualquer subcelebridade instantânea
A maior atriz brasileira foi???????????????????????? ainda é fernanda montenegro
O maior ator brasileiro foi??????????????????????? raul cortez




























O futuro sera?????????????????????????? surpreendentemente fantástico
O presente é??????????????????????? aqui e agora
O passado foi?????????????????????????delicioso, forte, mágico
Sexo é?????????????????????????? delicioso, tesudo, fetiche
Dionisio Neto por Dionisio Neto????????????????????? um homem de coração quente, um ator que ama o que faz e quer fazer da melhor forma possível

Escrito por DOM DIONISIO NETO às 14h25
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23/03/2012


DIONÍSIO NETO NA BOCA DE CENA

 

O Rio No Teatro pediu para que o ator Dionísio Neto chegasse até o proscênio para falar um pouco sobre sua carreira, sonhos e novidades. Dono de uma voz e  um rosto marcante, Dionísio brilha nos palcos, nas telinhas e telonas. Diretor da Cia. Satélite, o maranhense de São Luis promete aparecer ainda mais no mercado. Saindo das coxias e camarins sua última aparição de destaque na telinha foi na novela " A Favorita" da TV Globo, no cinema atraiu olhares em "Carandiru" e no teatro sua parceria com o autor Walcyr Carrasco tem sido de eterno sucesso. O terceiro sinal foi dado! Com vocês Dionísio Neto!

 

RNT: Como despertou a vontade de seguir a carreira de ator?

 

Dionísio NetoEu nasci na frente de um cinema em São Luís do Maranhão e passei a minha infância morando ao lado. Nunca vou me esquecer o fascínio que tive. Acho que foi ali que eu decidi ser ator, querer viver aquilo e proporcionar emoções à platéia. Já na escola eu escrevia, produzia, dirigia e atuava em espetáculos para as aulas de artes, inglês, português, que eram uma sensação... Foi intuitivo mesmo, natural, como jogar futebol. A primeira peça que vi foi aos 15 anos - Eletra Com Creta, do Gerald Thomas, e logo em seguida Paraíso Zona Norte do Nelson Rodrigues por Antunes Filho. Foram duas montagens clássicas do teatro mundial. Assisti na primeira fila, hipnotizado. Depois desses espetáculos eu não tinha mais dúvida que queria ser ator... Anos depois trabalhei com estes diretores e virei ator de cinema, teatro e TV. Eterno Retorno. Maktub.

 

 


RNT: Como foi o inicio da carreira?

 

Dionísio Neto: Profissionalmente eu estreei no Paraguai! (Risos) Fiz parte de uma trupe, a Marinho Piacentini Performance Brasil que viajou com o espetáculo de teatro-dança Comala por alguns países da América Latina por um ano. Foi mágico. Descobri a vida e o teatro nesta viagem fabulosa. Tenho saudades de voltar a viajar com teatro, é um dos maiores prazeres para um ator. Na volta ao Brasil entrei para o CPT - Centro de Pesquisa Teatral de Antunes Filho, em 1992. Abandonei a Faculdade de Letras na USP para me dedicar ao teatro. Foi a minha formação. Depois aos 23 escrevi, produzi, dirigi e atuei na Trilogia do Rebento - Perpétua (que vai virar filme ainda este ano), Opus Profundum e Desembestai! Fomos a principal atração do Festival de Curitiba em 1997, eu saia todos os dias nas capas dos principais jornais do país e até no The New York Times como o infante terrible do teatro brasileiro. Foi intenso, um furacão mesmo. E cá estou até hoje, e espero que até o fim da minha vida também.



RNT: Hoje você tem uma Cia e uma sede em São Paulo. Como você percebe o crescimento do número de grupos e cias no Brasil? Conte um pouco sobre a trajetória do grupo...

 

Dionísio Neto: Sou o diretor artístico da Companhia Satélite desde 1995. Produzimos mais de 15 espetáculos nesses anos. Em 2009 graças a um desejo do meu sócio Fred Fontes e das nossas necessidades, montamos uma sede com recursos próprios e com a ajuda do Fomento para o Teatro da Prefeitura de São Paulo. Nossa sede era linda, intensa e duraram três anos. Hoje não existe mais. Foi uma grande experiência ser dono de teatro, mas hoje abrimos um escritório-produtora que está mais próximo do que necessitamos. Fizemos um espetáculo memorável chamado OS DOIS LADOS DA RUA AUGUSTA, em que transformamos a Rua Augusta em um palco e encenamos dentro e um ônibus de pelúcia Pink que já virou uma lenda urbana. Trabalhamos com atores incríveis e com artistas de outras áreas como Arrigi Barnabé, Reinaldo Lourenço, Alexandre Herchcovitch, e muitos outros. Atualmente estamos produzindo Desamor que Walcyr Carrasco escreveu para mim, Anti-Nelson Rodrigues e uma peça gringa super premiada internacionalmente.



RNT: Dos trabalhos que fez, qual sente mais saudade?


Dionísio Neto: Todos. Mas o primeiro - Perpétua, que vai virar filme, viajou pela Europa e vai ganhar sua primeira edição bilíngüe tinha o frescor do início. Ficamos 10 anos em cartaz. Muitas saudades.

 

 

RNT :Um personagem dos sonhos?

 

Dionísio Neto: MacBeth no sertão.



RNT: Televisão x Teatro, ainda existe um preconceito da classe?

 

Dionísio Neto: Sempre ouvi essa richa no passado, hoje não mais. O teatro é a base do ator, mas no fundo a investigação é a mesma para quem faz teatro, cinema ou televisão. Um ator de teatro pode fazer e muito bem cinema e TV, mas o contrário não é verdadeiro. O teatro é a grande arte do ator, é ao vivo, com o corpo, a alma, o espírito e a voz ali como num show de rock, numa ópera. Nada se iguala. Mas o Brasil é o país da televisão. Infelizmente nunca uma peça de teatro por melhor que ela seja terá o alcance de uma novela por pior que ela seja. É a vida! Mas como eu já ouvi um gênio falar - teatro é teatro, cinema é cinema e televisão é televisão.

 

RNT: Cinema em sua vida...

 

Dionísio Neto: Cinema é uma utopia. Neste ano farei meu primeiro protagonista - em Perpétua - depois de muitas participações (Carandiru, Contra Todos, Garotas do ABC, etc.). Sou louco pelo Marlon Brando, eu comecei a minha carreira imitando, cover mesmo. E também sou adepto do Método. Mas cinema no Brasil ainda não é indústria, ter um grande desempenho em um grande filme de sucesso (o que consagra um ator) é quase como ganhar na loteria. Sig
o tentando.

 

Meu grande desejo como ator de cinema é atuar em um filme do Walter Salles com quem tenho uma grande afinidade e identificação. Certo dia ele me ligou e trabalhamos juntos por 3 horas. Fiz a locução do material de divulgação do filme Linha de Passe e no final expressamos o desejo mútuo de trabalharmos juntos. Espero ansioso por este dia.

 


RNT: Qual o conselho para quem está começando na carreira.

 

Dionísio Neto: Esta profissão é muito instável, é preciso primeiro saber se o sujeito tem, além do talento, vocação. Porque é uma montanha russa dentro de um trem fantasma, em 5 d, tem que saber se divertir com a instabilidade. Fazer um personagem de grande sucesso hoje não é garantia de trabalho amanhã. Temos que lutar todos os dias, recomeçar sempre. E com o passar do tempo (hoje tenho 40 anos) isso é muito ingrato e desgastante. Um ator é um pedreiro, um sacerdote, um monge. A ilusão de que podemos ser rock stars é grande, mas passa. Somos operários dos sentimentos e emoções humanas. Se quem está começando entender isso, siga seu caminho da bem-aventurança, caso contrário, desista enquanto há tempo!

 



RNT: E as novidades para 2012..

 

Dionísio Neto: Fui convidado por Paulo Machline para abrir seu filme TRINTA sobre a vida e obra do Joãosinho Trinta, maranhense como eu. Tenho um belíssimo curto para estrear - Diário de Simonton, e o filme Augustas também. Vou começar a rodar Perpétua e estou produzindo as peças que citei acima. Continuarei fazendo os fatídicos testes, se bem que meus últimos trabalhos foram todos convites. E outras surpresinhas mais que não posso revelar. 



RNT: Uma dica de  um livro

 

Dionísio Neto: "O Mulato",  do meu conterrâneo Aloísio Azevedo que foi escrito no século XVIII e é muito atual, fala sobre racismo.

 

RNT: Uma frase...

 

Dionísio Neto: "Viver é bicho perigoso." - Guimarães Rosa em Grande Sertão: Veredas



RNT: Um recado para os leitores do Rio No Teatro

 

Dionísio Neto: Vá ao teatro com toda a sua família! Prestigie o cinema brasileiro e siga o caminho da sua bem-aventurança e me siga no twitter -  @dionisioneto

Escrito por DOM DIONISIO NETO às 13h43
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21/03/2012


2012

Dionísio Neto está cheio de planos para 2012. Vem descobrirDionísio Neto vai protagonizar peça de Walcyr Carrasco e primeiro filme de sua carreira

 

 

Dionísio: nome certo para a profissão que ama

Dionísio: nome certo para a profissão que ama

Ele não é o filho de Zeus com a princesa mortal Semele, mas bem que poderia, já que o maranhense Dionisio Moraes da Silva Neto, 39 anos, vive nos palcos e respira teatro. Com nome do pai do drama nascido da coxa do deus máximo da Mitologia Grega, parece apenas coincidência que ele tenha se apaixonado pelo ofício de ator, mas nesse caso trata-se também de talento – e um talento que se divide entre cinema, televisão e, claro, sua casa, o teatro.

“É mesmo meu nome!”, afirma bem humorado o ator, diretor, ex-dono de teatro e autor, que é formado em Letras na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP (FFLCH/USP) e se profissionalizou na arte dramática no Centro de Pesquisa Teatral (CPT), dirigido por Antunes Filho, onde passou três anos. Depois, trabalhou ainda em peças de José Celso Martinez Corrêa, Gerald Thomas e Bia Lessa.

Após várias participações especiais, ele se prepara para em 2012 viver seu primeiro protagonista nas telas dos cinemas, será no longa de sua autoria “Perpétua”, texto de 1996, com previsão de início de filmagens para abril. “É a peça que eu escrevi que será adaptada para o cinema, vamos filmar em Brasília, transformar a cidade em um lugar futurista”, revela, observando ainda que “tecnicamente o cinema nacional evoluiu muito, o HD democratizou muito. O nosso problema ainda é roteirista, como não tem demanda, cinema no Brasil não é indústria, não temos quantidade de roteirista tão grande”.

Dionisio conta ainda que na adaptação do palco para as telonas algumas alterações foram feitas. A principal delas é que na peça o papel principal, interpretado por ele, era de um poeta, mas na versão cinematográfica será de um ghostwriter de discursos políticos. O último papel dele nas telas, as da televisão, foi o advogado e vereador também de nome mitológico Aquiles, na novela global “Morde & Assopra”, de Walcyr Carrasco.

A parceria com o autor da Globo, inclusive, continua com toda força neste ano. Walcyr parece ter elegido Dionísio como seu queridinho e depois de uma peça sobre transexualidade, “Seios” (2010), ele se prepara para dar vida a outro texto do novelista, “Desamor”. “Eu faço o papel de um taxista que também é michê. E tem um flerte com a religião porque tem um cliente que é católico e faz o taxista repensar a vida dele.” A peça é sobre a redenção do taxista, um homem bem ogro, tipo aquele machão de tempos antigos. “Me inspirei no Marcelo Dourado do BBB.”

A peça deve estrear em São Paulo ainda no primeiro semestre deste ano, com planos de turnê pelas capitais brasileiras logo em seguida. Segundo Dionísio, o texto de Walcyr Carrasco no teatro não é o mesmo da televisão porque “a televisão tem muitas limitações, o teatro te dá mais liberdade, é a mais acessível de todas as artes, dá para montar sem muito dinheiro”.

Comprando os direitos de montagem de dois espetáculos internacionais “menos provocativos, com uma pegada mais mainstream”, o ator não quer tirar o pé do maior veículo de comunicação de massa do Brasil e diz esperar voltar logo à televisão porque “o Brasil é o país da televisão, todo cidadão brasileiro tem uma televisão. Nunca o teatro vai chegar à popularidade de uma novela”.

Casado há nove anos, ele mora na ponte-aérea entre Rio de Janeiro em São Paulo e revela que seu grande sonho é fazer um filme com o diretor Walter Salles (“Abril Despedaçado”, “Central do Brasil”, “Dark Water”, “Diários de Motocicleta”). “Já estive com ele, fiz a locução do material de lançamento do filme ‘Linha de Passe’ e expressamos as vontades mútuas de trabalhar juntos.” Se ele está cansado? “Eu adoro muitas coisas ao mesmo tempo, fico doido.” Pelo jeito nem um pouco.

Escrito por DOM DIONISIO NETO às 15h01
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19/08/2011


PALESTRA: LITERATURA DRAMÁTICA

PALESTRA: LITERATURA DRAMÁTICA

Dionísio Neto

Palestra sobre literatura dramática com Dionísio Neto, um dos grandes nomes da dramaturgia brasileira.


vagas limitadas e gratuitas

inscreva-se: (11) 3060 3636 ou na Escola São Paulo

3 de setembro (sábado)

10h às 12h

1 palestra | 2 horas


Curso : Teórico

Nível: Básico


O material de apoio das aulas será enviado por email pela Secretaria Escolar para um melhor aproveitamento do curso. A impressão é opcional, salvo a solicitação do professor.


A Escola São Paulo poderá alterar datas e horários ou cancelar os cursos, de acordo com o número de interessados. Em caso de imprevisto com o professor, poderá haver substituição, a critério da Escola São Paulo, sem alteração do programa.

Escrito por DOM DIONISIO NETO às 13h37
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minha palestra na ESCOLA SÃO PAULO

rramentas

Professor:


Dionísio Neto
Dionísio Neto

Dramaturgo e Ator. Estudou Letras na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP (FFLCH/USP) e sua formação teatral deu-se no Centro de Pesquisa Teatral (CPT), dirigido por Antunes Filho, onde passou três anos. Depois, trabalhou em peças de José Celso Martinez Corrêa, Gerald Thomas e Bia Lessa, entre outros diretores. Escreveu várias peças, sendo que a mais conhecida é "Perpétua". É diretor artístico da Companhia Satélite, desde 1996. Renovou a dramaturgia brasileira nos anos 90 sendo comparado a Nelson Rodrigues, Sam Shepard e Mark Ravenhill. Como ator ganhou excelentes críticas por seus trabalhos no teatro, cinema e tv. Atua na novela global Dinossauros e robôs.

Escrito por DOM DIONISIO NETO às 13h37
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24/06/2011


minhas cenas na novela MORDE E ASSOPRA - TV GLOBO

minhas cenas estão aqui, clique e veja - http://mordeeassopra.globo.com/personagem/aquiles.html

Escrito por DOM DIONISIO NETO às 20h36
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eu na novela morde e assopra

desisted22/06/11 às 17h03 - Atualizado em 22/06/11 às 20h33

Naomi consulta Aquiles para saber o que teria direito se separasse de Ícaro (Foto: Morde & Assopra / TV Globo)Naomi consulta Aquiles para saber seus direitos em caso de separação (Foto: Morde & Assopra / TV Globo)

Desesperada com a ameaça de Salomé (Jandira Martini), que quer a casa de Ícaro (Mateus Solano) a qualquer custo, Naomi (Flávia Alessandra) decide procurar um advogado para saber o que conseguiria ganhar se pedisse divórcio.

Frente a frente com Aquiles (Dionisio Neto), pergunta abertamente se conseguiria passar a casa para seu nome, caso pedisse a separação. Mas a resposta é bem mais dura do que ela imaginava e o advogado deixa claro que tudo dependeria da boa vontade de Ícaro.

“A senhora desapareceu! Nenhum juiz vai lhe dar ganho de causa. Será processada por abandono de lar e perderá. Dificilmente terá direito ao dinheiro de seu marido, depois de desaparecer por tanto tempo. A não ser que tenha algum motivo sólido, independente de sua vontade, para ter desaparecido. Tem?”

Escrito por DOM DIONISIO NETO às 20h35
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23/06/2011


eu e o teatro, eu e o cinema, eu e a tv

Eu lembro muito bem de um teste vocacional no Colégio Stella Maris em 1982, quando eu tinha 9 anos em que perguntavam o que nós, crianças,queríamos ser. Eu fiz o desenho de um ator. Na época eu estava já enebriado com as aulas em que fazíamos teatro. Já na ocasião eu escrevia, produzia, dirigia e atuava nas minhas peças, chamava os colegas, mobilizava a escola toda. Era natural em mim. Paralelamente eu assistia as novelas da Tv Globo, aos seriados, nasci em frente a um cinema em São Luís do Maranhão, onde só havia 3... Mas a tv e o cinema sempre pareceram muito distantes para mim. O que estava ao meu alcance era o teatro. Com um banquinho e um violão se faz uma peça, já tv e cinema não... Como sempre morei em São Paulo, por questões econômicas, eu fui trabalhar com o Antunes, se fosse no Rio eu iria para o Tablado e imediatamente eu entraria para a tv. Na verdade os três veículos sempre caminharam juntos comigo. Também aos 19 eu já fazia curtas, vídeos institucionais e não sei como fui parar em uma oficina de atores da Tv Globo, junto com o recém vindo da Fundação das Artes Fábio Assunção. Mas nossos caminhos naquela época, eram outros. A vida me levou para o teatro, para fazer peças com Antunes Filho, José Celso Martinez Corrêa, Gerald Thomas e depois as minhas mesmo, visto que eu tinha a necessidade de fazer personagens que estes diretores não tinham para mim na época. E foi no teatro que eu fiz a minha morada, o meu respiro, o meu mundo e minha salvação espiritual, econômica, artística... Não havia cinema no Brasil na época, havia um vácuo. Aos 30 fui fazer Carandiru do Hector Babenco, depois de ter causado rebuliço no teatro brasileiro, muito pela Folha de S Paulo, que me dava capas e capas. E logo em seguida a Tv Globo me chamou para testes de protagonista de novela... Eu fiz uns 4 e sempre ficava preterido pelo ator de olhos azuis, anos depois fiquei sabendo que era porque ficava mais colorido na tela. Só fui estrear na tv anos depois, já quase aos 40 anos em A Favorita, numa pequena e intensa participação, depois de uma também pequena participação na minissérie Carandiru - outras histórias. E mais uma vez fui parar na tv graças ao teatro, graças a minha atuação na peça SEIOS de Walcyr Carrasco que me convidou para a novela Morde e Assopra. Aí, de fato eu entrei na tv, na indústria, e percebi exatamente a função de um ator na tv. Eu não estava preparado jamais para fazer um protagonista, eu não teria a disciplina necessária do operário padrão, precisava viver minha veia punk, rebelde, de enfant terrible que eu sempre fui, sempre vivi até a exaustão. Hoje estou mesmo interessado em fazer um grande papel na tv, já que entendi esse veículo, que é totalmente diferente do teatro e do cinema, apesar de terem a mesma investigação. Mas em novelas são muitos diretores, quase não há direção de ator, aprofundamento, porque não há tempo, são muitas cenas por dia, é um veículo de massa e de entretenimento basicamente. A profundidade quem me deu foi o teatro. Acredito que tudo se completa e ao contrário de quem diz que tv é banal, é preciso ser muito bom ator e ter uma habilidade muito específica e sagaz de se trabalhar ali. Às vezes são 12 horas de trabalho madrugada adentro. E tem a popularidade que a tv dá e que o teatro jamais daria. Um capítulo de novela é visto por 40 milhões de pessoas, uma peça de sucesso chega a quanto? Contudo eu estou ainda certo que meus melhores papéis na tv e no cinema estão por vir nos próximos anos, e estou maduro e curioso para transformá-los em sucessos memoráveis. Devo tudo ao teatro, mas no teatro eu já vivi quase tudo, de fracassos a sucessos, até ser dono de um pequeno teatro fui. Minhas energias agora estão focadas na busca de papéis no cinema e na tv com a grandeza que desempenhei no teatro, e brindar o público com a catarse que o teatro me ensinou. Estou praticamente começando de novo, como uma  Phoenix, me reinventando, para voar mais alto, sem jamais derreter minhas asas, é claro, porque quero ir muito longe, além mar.

Escrito por DOM DIONISIO NETO às 11h37
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05/06/2011


entrevista recente para uma aluna de teatro de Ivan Feijó

Me surpreendi com o tanto de informação que encontrei sobre você atualmente, e o quanto
de informação tem de sobre como começou. Pode contar um pouco sobre como era a sua vida
antes de 1992, com o grupo “Razões Inversas”?

Antes de 1992 eu fazia workshops e assistia teatro, estava começando a me encantar com o que via, principalmente com as peças do Antunes Filho, do Gerald Thomas e dos grandes atores como Antonio Fagundes, Fernanda Montenegro, Fernanda Torres. Eu ia muito ao teatro. Fiz cursos com Gabriel Vilella, Carlos Alberto Sofredini, e com o Marcio Aurélio fiz um teste e entrei na companhia dele para fazer Ricardo II, do Shakespeare. Foi aí que começou minha amizade com o ator Leonardo Medeiros que viria a dirigir algumas peças minhas depois, como Perpétua. Também fiz parte de um grupo dirigido or Marinho Piacentini, que viajou a américa latina desde o Paraguai até o México fazendo um espetáculo de teatro-dança - Comala. Era mágico, guardo lembranças fabulosas.

Você fez grandes peças, com grandes nomes do teatro brasileiro; filmes importantes e ainda
participou de novelas. Em uma entrevista para “O Estado do Maranhão”, você comentou sobre
uma conversa com Walter Salles, em que discutiam sobre o fato do brasileiro assistir mais
novela do que o cinema e o teatro. Isso te aborrece de algum modo? Por quê?

De jeito nenhum, é uma questão econômica, todo brasileiro tem uma telvisão e é grátis e as novelas acabam por ser o entretenimento da maioria, é fato. Eu sempre adorei novelas e agora estou fazendo a minha terceira - Morde e assopra, na Rede Globo. Estou aprendendo muito, principalmente com Cássia Kiss que me ensinou a falar baixinho e devagar. O papo com o Walter Salles foi um dia em que ele me ligou para fazer a locução do trailer do Linha de Passe e ficamos horas conversando. Eu disse que estava indo fazer uma novela - A Favorita - e ele me perguntou por que. Eu disse que é porque o brasileiro assiste tv, é o grande mercado, é negável. Na verdade eu acho que é importante fazer todos os veículos, procurar grandes papéis, fazer escolhas certas, porque a carreira de um ator se faz muito pelas escolhas dos personagens que ele quer ou pode fazer. Teatro e cinema no Brasil são para uma minoria, hoje a cultura está nas mãos dos diretores de marketing das grandes empresas que patrocinam cultura e do governo que faz os editais de dinheiro público, e aí a gente fica a mercê dos jurados que podem ir ou não com a nossa cara. Devo dizer que tenho sorte, mas odeio política, apesar de ser inerente a todos ter que fazer, é do ser humano. Mas eu me considero um péssimo político, prefiro minha solidão, odeio mesquinharias e picuinhas, mas como fugir delas?

Em julho de 2010, teve o “Festival da Companhia Satélite – 15 anos de teatro”. O
jornal “Cruzeiro do Sul” publicou uma matéria dizendo: “Dionísio Neto não quer mais
saber de escrever: ‘Já falei tudo o que tinha para falar’". Já que a sociedade está
em constante mudança, e continuamos vendo tanta coisa errada, você não acha que seria
interessante escrever sobre isso? Concordo que, a maioria dessas mudanças são somente
superficiais, e que na verdade a base dos problemas continua a mesma. Mesmo assim, isso
não seria um uma espécie de inspiração para novos textos?

Eu já escrevi muitos textos para teatro, uns 15, atualmente estou mais interessado em usar minha energia para publicá-los, fazer um livro da Companhia Satélite e não em novas produções, apesar que é natural em mim pensar em peças o tempo todo. Mas quero me dedicar a outras mídias, como o cinema, a literatura. Há que se fazer bom uso do tempo. Estou usando meu tempo para produzir e ensaiar otexto que Walcyr Carrasco escreveu para mim - DESAMOR. Ele me ligou agradecendo porque eu o tornei um autor melhor, eu o inspirei como ator a escrever um lindo texto para teatro e com esta montagem quero e vou realizar um sonho antigo - viajar pelas capitais brasileiras com teatro. Não há nenhum prazer que se compare a viajar com um espetáculo de teatro, é mítico! Mas no futuro quem sabe, eu volte a escrever para teatro, é inevitável.

Para a Companhia Satélite, você escreveu 10 peças, sendo 3 inéditas e 1 publicada em livro
pela Handam Editora, na Coleção Teatro Brasileiro. Qual é a expressão da Companhia?

A Companhia é plural, faz de textos contemporâneos a clássicos (Kafka, Lorca), é uma companhia de teatro pop, que se utiliza das influências de outras artes para estabelecer o diálogo com o teatro, nós tivemos uma sede por 3 anos que teve seu início, seu auge e agora fechará as portas. Estou muito feliz com isso, é insano manter um espaço cultural no Brasil, infelizmente, mas assim é.

Atualmente, está gravando a novela “morde e Assopra”. O que pretende fazer no futuro? Se
um dia fosse para escolher outra profissão, escolheria o que?

Quero fazer na tv e no cinema personagens tão importantes quanto os que eu fiz no teatro, pois eu ainda sou um bebê nestas outras linguagens. Apesar de ter trabalhado em grandes produções como Carandiru, ainda me sinto sub-utilizado nestes meios. Mas não há regras, assim é. Batalho todos os dias por grandes papéis, é uma guerra e tem o fator sorte também, sei que um dia vou conseguir fazer um grande filme e um grande papel, com uma grande interpretação, aí ninguém me segura... Se eu não fosse ator, autor e diretor eu trabalharia com moda, porque tenho uma paixão inexplicável por moda, tenho amigos que são grandes  no Brasil como Reinaldo Lourenço e Paulo Borges, que me ensinaram, a desenvolver essa paixão.

Pelo o que percebi, você escreveu peças com sentimentos muito fortes. Que provocava e
impressionava a plateia. Chegou a ser considerado precursor da retomada da dramaturgia
brasileira pós Nelson Rodrigues. Suas obras tem alguma ligação com sua vida pessoal?

Totalmente, vida e arte absolutamente misturadas. No começo da minha carreira eu era mais visceral e verborrágico, quase como que um punk rock, agora estou ficando mais erudito, interessado em aprimorar a minha técnica em todos os sentidos. É a maturidade. Gosto de envelhecer, sem perder o frescor da juventude, é claro.

Depois de 1992, atuando em Ricardo II, você entrou para o CPT, onde se formou como ator e
dramaturgo, em 1995. Como foi trabalhar com Antunes Filho? O que era comentado sobre o
teatro brasileiro naquela época? Como vocês (atores) eram vistos?

Antunes foi meu grande mestre, fiquei 3 ans trabalhando e convivendo com ele, nos falamos até hoje. Ele me ensinou a olhar para o ser humano antes do artista, para a maravilha e o milagre da vida, e depois para a cultura, mas nunca para o mercado, acho que aí está uma falaha dele, é preciso formar atores que tenham a consiência do mercado e o CPT é uma bolha, uma bolha maravilhosa, mas uma bolha. Também tenho como referências o José Celso e o Gerald Thomas, que me ensinaram, cada um a seu modo, a ver a vida e a arte sob diferentes prismas até que eu encontrasse minha voz própria, que é pop, absolutamente pop.

Vi na internet comentários de 2003, em que você dizia que o seu sonho era que suas peças
virassem filmes, e que isso já estava acontecendo com “Perpétua”. Como vai esse sonho?

Finalmente encontrei um diretor para PERPÉTUA - José Eduardo Belmonte. Ganhamos dois editais públicos para fazer o filme - um de roteiro e outro de produção. Aconteceram algumas maracutaias em Brasília que prenderam a verba, mas uma hora o filme sai. Perpétua veio do cinema, foi inspirado nele, nada mais natural que volte a ele. Demora muito, mas assim é. O sonho ainda me move, sempre, senão não teria graça nenhuma. É preciso poesia para se viver.

Em “Cameleões Dourados do Paraíso”, história que se passa em uma tarde de verão intensa,

a bandeirante Pirilena vai ao apartamento de seu vizinho, o traficante de peles, Ramires, para

fazer um trabalho escolar. No meio da tarde são surpreendidos pela invasão domiciliar do

ecologista radical, Colombo. Você fez a encenação dessa peça? Se não, pretende fazer?

Eu não consigo montar essa peça, há algum mistério nisso. Eu me inspirei em Blated de Sara Kane para escrevê-la, foi uma época em que eu estava e ainda estou apaixonado pela dramaturgia inglesa contemporânea - cheguei até a fazer um workshop com mestres do Royal Court Theatre de Londres, um teatro de novos autores, centrado na dramaturgia. Aprendi muito lá. Não pretendo montar essa peça, mas se alguém quiser eu vendo os direitos.

Lorca era um grande dramaturgo. Considerado o maior autor espanhol desde Miguel de
Cervantes. Escreveu poemas e peças maravilhosas. Como foi pra você traduzir e dirigir a peça
“A Casa de Bernarda Alba”? Pretende fazer o mesmo com outras peças dele?

Não pretendo fazer outra peça dele não. A casa de Bernarda Alba foi uma experiência divina, porque eu queria fazer um espetáculo absolutamente artesanal, sem eletricidade nenhuma, a luz de velas, com música vivo tocada pelas próprias atrizes, uma experiência surrealista. Consegui. A montagem foi muito bem sucedida, fizemos em uma casa e depois na FLIP de Paraty, onde paramos a cidade. Foi uma experiência mágica que só o teatro porporciona e o elenco era perfeito e tive a assistência de Sergio Penna, o mestre dos magos da preparação de atores no Brasil. Ele soltou os duendes do Lorca e as atrizes eram fantásticas, eu entrava em cena as vezes como o Pepe Romano-minotauro que é uma figura recorrente em minhas montagens. Sou apaixinado por Lorca, ele foi um grande poeta que morreu tragicamente por ser homossexual em uma época de ditadura, assim como Oscar Wilde. Visionários pagam o preço cara de serem cristos da humanidade, fazer o que?

Mesmo depois de quase 20 anos de profissão, você não era muito conhecido, e como
comentou em um site: “...para eles antes eu era algum coitado, que estava tentando ser
ator...”. Qual é o conselho que você da para os que querem seguir essa carreira?

Como diz Fernanda Montenegro - desista!

Escrito por DOM DIONISIO NETO às 13h38
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19/04/2011


São Paulo, domingo, 17 de abril de 2011


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IMAGINAÇÃO
PROSA, POESIA E TRADUÇÃO

O gato de M.

DIONISIO NETO

Todas as histórias de amor mais emocionantes escritas pelos melhores autores de todos os tempos não me ajudavam a reconquistar M.
M. estava fechada, curada de mim, do nosso passado, dos momentos terríveis que construíram e destruíram as memórias, as cicatrizes e nos deixaram um gato. De todos os anos com M., o que ficou, fora o pensamento, foi o gato.
Nesses dias escuros, quando as dívidas com o mundo foram pagas, quando tudo o que me resta são as lembranças de M., os gestos de M., a voz de M. em eco no meu cérebro, o perfume de M. em minhas roupas, nos meus poros, neste tempo vazio, infinito, o gato olha para mim, com fome, penetrando minha retina, pronto para o bote se eu não o alimentar.
O gato foi presente de M.
- Toda vez que você olhar este gato, eu estarei com você.
M. disse isso para mim, mas não é verdade. Olho para o gato, e M. não está aqui.
Lembranças não alimentariam o gato. O gato precisa de comida de verdade. Eu tenho fome também. Fome maior do que a do gato, suponho.
Não como há dias, não saio daqui, peço tudo pelo computador, nem vejo mais a cara das pessoas, peço para o porteiro deixar a comida do lado de fora, a minha e a do gato.
Estamos magros, suponho. Minhas calças caem, daqui eu vejo os ossos do gato, ele mia, mas não é um miado feliz, é um miado de dor, profundo, um miado de morte. Se a morte tivesse uma voz, essa voz seria assim como a do gato.
Perdi a noção do tempo. Não entra sol aqui. Para mim, é sempre noite. Uma longa e tenebrosa noite, em companhia do fantasma de M. e do gato.
O gato caminha a passos lentos, fracos. Eu esqueci de alimentar o gato. Acho que esqueci de me alimentar também. A porta está trancada, eu não sei onde deixei a chave e também não tenho forças para procurar. A única força que tenho me remete a M.
M. de guarda-chuva vermelho gargalhando aos trovões, M. no mar de Ipanema, qual sereia em dia de festa, M. nos jornais, M. na televisão, M. cozinhando meu prato preferido, M. gemendo aos orgasmos múltiplos, M. rezando, M. frágil como toda mulher, mas não tão frágil como eu, não tão frágil quanto eu e o gato.
Sinto um cheiro podre de comida no ar, vindo da porta -mesmo trancada, eu sinto. Eu e o gato. Sentimos, ainda sentimos, mesmo sem M. para nos alimentar com comida farta, com comida fresca. Sem M., a comida morre também.
São dias e dias. Já disse: perdi a noção do tempo.
Eu não como. Eu não bebo. Eu não ando.
Eu me transformei no gato.
Acho.
O gato sou eu?
Eu falo, eu grito, eu destruo agora todas as lembranças de M., que corroem meu tempo, que tiram meus pés desse mundo e me levam para um mundo funesto. Eu corro nu pela casa, eu me jogo na parede, eu quebro minha mão, eu corto meus dedos, eu pinto as paredes da casa com meu sangue, eu não durmo, eu não respiro, eu fecho os olhos, eu não consigo mais gritar.
Sem M., eu simplesmente não sou.
Sem M., não existimos, nem eu, nem o gato.
O cheiro da comida podre arranca minha bílis da boca e suja o chão do apartamento do que eu não comi.
Eu não tenho mais tempo de vida.
Nem eu, nem o gato.
Mas o gato de M. é mais importante do que eu, suponho. Eu tenho sete vidas, ele, não. De hoje ele não passa se não sair por aquela porta. Se não se alimentar com a comida podre de semanas, ele vai antes de mim.
Encontro a chave da porta em meio às roupas sujas. Abro a porta. Eu consigo abrir, eu ainda consigo abrir as portas fechadas. Por mais moribundo que eu esteja, eu não deixaria o gato de M. morrer. Jamais.
Eu vou deixar a porta aberta. A mesma porta por que M. tantas vezes entrou com seus vestidos floridos, com seus cabelos esvoaçantes, com seu andar de diva. Eu vou deixar a porta aberta. Quem sabe o gato saia à caça de alimento e não morra. Quem sabe um dia, se eu ainda estiver vivo, M. entre de novo por esta porta e, como tantas e tantas vezes fez, dê uma dúzia de passos em minha direção, beije meus olhos e me acorde de volta para a vida, a única vida que eu aprendi a viver, nos braços de M., nos braços reais, macios e carinhosos de M.

Escrito por DOM DIONISIO NETO às 19h35
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28/02/2011


site dramaturgia contemporânea

a entrevista completa pode ser conferida aqui

 

http://www.dramaturgiacontemporanea.com.br/artigos.php?autor_id=61&art=2&texto=106

Escrito por DOM DIONISIO NETO às 22h22
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